8.12.08

 

Variações Sobre o Tema do Merecimento


1 – Valorizemos as coisas pequenas para merecermos as grandes;

2 – Devemos valorizar as coisas pequenas, para podermos merecer as maiores;

3 – Quem valoriza o pouco pode merecer o muito;

4 – Quem valoriza o escasso pode aspirar à abundância;

5 – Quem não valoriza o escasso não deve aspirar à abundância;

6 – Quem é capaz de recusar o que está perto pode aspirar ao que está longe;

7 – Quem estima o mais baixo pode aspirar ao mais alto;

8 – Quem tem coragem para rejeitar o que é fácil está preparado para tentar o difícil;

9 – Só quem recusa o fácil merece alcançar o difícil;

10 – Provemos no baixo para merecermos o alto;

11 – Quem não é digno do singelo não merece a honra do mais alto;

12 - Se dizemos ter valores a nossa prática deve mostrá-lo;

13 – Se prezamos valores a nossa prática deve evidenciá-lo;

14 – Devemos deixar aos outros o reconhecimento dos nossos méritos, mesmo com o risco de sofrermos a ligeireza do seu critério;

15 – Não basta enunciar valores, é preciso praticá-los;

16 – A nossa prática é a melhor propaganda dos nossos valores;

17 – Pior do que não afirmar valores é proclamá-los sem os praticar;

18 – Nada desacredita mais uma pessoa que a prática oposta dos princípios que apregoa;

19 – Nada desabona tanto uma reputação como a prática distante dos valores que um dia a sustentaram;

20 – Levamos uma vida para encher uma página de boas acções praticadas;

21 – O Mundo está cheio de heróis em causa própria;

22 – O êxito individual quase sempre só beneficia o próprio; o colectivo, por norma, beneficia o conjunto;

Eis uma colecção de pensamentos de fundo cristão que um sol morno, de um dia de Outono, após um almoço sóbrio, em ambiente aprazível, acabou por inspirar.

De onde se conclui que:

- O sol é bom conselheiro;

- De estômago aconchegado, não só se pensa melhor, como os pensamentos se tornam mais benignos;

- A Humanidade melhora um pouco, quando tem asseguradas as condições básicas de subsistência; melhora ainda mais, quando estas vão além da mera subsistência e ocorrem em meio aprazível; melhora ainda um pouco mais, se tudo isto acontece, sob um sol morno, afectuoso, no meio silencioso da natureza, sem vaidades ocas, sem toques nem falas tolas de telemóveis à nossa volta, passe a contradição com o espírito cristão inicialmente evocado.


AV_Lisboa, 8 de Dezembro de 2008

Comments:
e é tão fácil desvalorizar..

vou imprimir isto :-)
 
a humanidade não vai melhorar nos próximos tempos!


:(


mas o que aqui fica é um excelente manifesto...oráculo.



abraço.
 
Caro amigo

À laia de conclusão, eu diria: «viver não custa. O que custa é saber viver.»
Com todo o respeito, permito-me discordar um pouco do que diz a Isabel. A humanidade sempre melhorou e sempre piorou. Como disse Camões, «Todo o mundo é feito de mudança». O importante é estabelecermos critérios simples e claros, como os que escreveu aqui António Viriato»
E os critérios, pelo menos na nossa cultura, têm melhorado. Já há uma carta dos direitos do Homem, já não temos escravatura, a pena de morte foi abolida na maior parte das Nações, já não se queimam dissidentes religiosos, há liberdade de culto, a tirania já não se exerce livremente, os privilégios de nascimento tendem a desaparecer, a violência doméstica está a ser combatida. E muitas outras melhorias que seria fastidioso enumerar.
Mas concordo que se deveria andar mais depressa.
 
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